18 de jan de 2016

Livro #42: Los Pilares de La Tierra de Ken Follett

videojuego-los-pilares-de-la-tierra_0-615x327Los Pilares de La Tierra do consagrado escritor Ken Follett e publicado pela Editora DeBolsillo é o primeiro livro que leio em outra língua, é claro que para esta missão tão desafiadora escolhi o caminho mais fácil e optei pelo espanhol, e especialmente por ter ganhado este livro da minha prima que vive na Espanha.
Embora o espanhol tenha sua singularidade com o português não faltou momentos de confusão e incoerência na minha cabeça, ainda mais por se tratar de uma obra tão grande e cheia de termos técnicos da bela arte da construção.
Porém, como sou brasileiro e não desisto nunca, fui a fundo com este calhamaço oriundo da Península Ibérica e acabei me apaixonando não apenas pela história, mas também pelo autor que tem todos os méritos para ser chamado de autor best seller.
Los Pilares de La Tierra ou simplesmente Os Pilares da Terra é obra máxima do autor, narrado em terceira pessoa, suas 1359 páginas estão repletas de tramas violentas, paixões avassaladoras, fé complexa e demonstrações de poder. Com quase uma dúzia de personagens principais a trama exala criatividade e comprometimento, a todo um estudo histórico por traz da narrativa e segue um ritmo emocionante.
Trata-se de uma ilustração real do que foi o período medieval inglês, onde há de tudo um pouco, o alto clero assumindo compromissos destinados a monarquia, o povo humilhado e oprimido pelos senhores feudais, barões e condes. As mazelas da pobreza e falta de saneamento da época, as inovações que trouxeram luz a humanidade. As terríveis guerras monárquicas que acabavam tendo cunho monóstico. As intrigas reais e disputas locais.
O drama dos pequenos povoados e vilas acostumados a serem colocados no meio da disputa de dois ou mais nobres loucos por poder, as feiras que movimentavam a economia, as colheitas e as intemperes naturais, as cruzadas assassinas dominadas pelo fervor e temor religioso, a terrível situação do sexo feminino, humilhado e escandalizado pelo sexo masculino.
Enfim, o que não falta neste livro é história, e embora parece muito para suas pouco mais de mil páginas, Ken Follett conseguiu abordar todos os conteúdos da época sem parecer banal ou sem dar-lhe o mérito necessário.
Contudo o que mais se vê no livro é a temática religiosa argumento presente na maioria dos infortúnios e percalços dos protagonistas desta trama mirabolante.
A narrativa atravessa mais de 40 anos da história inglesa, indo de 1123 a 1174, e isso sem fazer uso de muitas passagens temporais. No início da trama acompanhamos aquele que no início parece o protagonista de toda a trama, Tom Builder ou Tom o Construtor, Tom sonha em construir uma catedral e após ser demitido por William viaja com sua família por toda a Inglaterra atrás de trabalho, até que acaba em Kingsbridge um monastério em decadência e que acaba de ter um novo prior, e este sonha com a restauração do lugar. Embora isso ocorra quase na metade do livro, é aqui que se dá início a verdadeira trama da história de Follett.
Não irei me prolongar muito sobre a história em si, pois renderia umas vinte páginas fáceis no Word, então apresentarei os protagonistas desta trama, ou pelo menos um pouco sobre cada um deles.
Jack Jackson (também conhecido como Jack Fitzjack, e Jack Builder): Apresentado como um garoto estranho de cabelos vermelhos, Jack único filho de Ellen se destaca pouco a pouco no livro, no início parece sem importância, mas ao passo que cresce se mostra um jovem inteligente e acaba-se por tornar-se um arquiteto de grande talento e acaba por concluir o trabalho de seu padrasto, construindo a mais bonita catedral de toda a Inglaterra.
Philip: O monge inteligentíssimo e muito devoto, acaba em Kingsbridge ao se ver envolvido em uma conspiração contra o rei, torna-se prior do monastério e ao longo da trama mostra que mesmo sendo de origem humilde e vindo do meio do mato, é um erudito nato, um homem disposto a tudo em nome de Deus, e é para mim o personagem mais bem construído de toda a história.
Aliena de Shiring: A garota que tinha tudo, que fazia o que lhe parecia melhor, e acabou perdendo tudo, é a minha personagem favorita, mesmo depois de toda a humilhação sofrida nas mãos de seu ex-noivo William dá a volta por cima e consegue cumprir a promessa feita ao pai, mesmo que sempre apareça algo que a derrube ela se levanta e volta a lutar. Garota assustada, mulher indômita, comerciante nata, mãe exemplar, todas as facetas de Aliena são perfeitamente criadas e narradas.
Tom Builder: Construtor que inicia a reconstrução da abadia de Kingsbridge, um homem inteligente para quase tudo, menos para que se relaciona ao seu filho mais velho Alfred.
William Hamleigh: O monstro da história, o terror de Aliena e Philip, o odiei do início ao fim e não vou perder muito tempo falando deste crápula frio e inescrupuloso.
Ellen: A bruxa, a única com coragem para ir contra a Igreja, para dizer e fazer o que pensa, mulher de temperamento forte, independente e única.
Waleran Bigod: Bispo inescrupuloso, embora fiel a Deus, é a mente por trás de quase tudo de ruim que acontece no livro, maquiavélico e implacável, e de uma inteligência ímpar.
Richard de Shiring: Irmão caçula de Aliena, um idiota que sonha em ser cavaleiro, mas esquece tudo o que importa, a única morte de um mocinho que não me importei.
Alfred Builder: Crápula sem coração, um brutamontes rustico e idiota, inicialmente adorei o personagem mas assim que se torna homem mostra que não vale o chão que pisa.
Outros personagens de importância na história mas que passam batido são:
Martha Builder: filha de Tom.
Jonathan: filho de Tom e monge de Kingsbridge.
Lord Percy Hamleigh e Lady Regan Hamleigh: pai e mãe de William Hamleigh.
Rey Esteban; Emperatriz Maud; Conde Bartholomew de Shiring nobreza envolvida nos primeiros vinte anos de guerra, a morte deles não foi sentida.
Remigius: como toda história precisa de um duas caras, o monge Remigius está ai para confabular com todos os lados da moeda. Um traste mas que teve uma redenção linda.
Ainda poderia citar outros tantos personagens, mas os nomes aqui apresentados são aqueles que você vai acompanhar do início ao fim do livro, e pode ter certeza você vai amar muito deles, odiar outros, e vai se indignar muito com tantos acontecimentos que estes protagonizam, estupro, abusos de poder, assassinato a sangue frio, corrupção dos membros da igreja, tudo o que você apenas leu nos livros de história aqui é pintado com a cor que realmente parece, o vermelho sangue.
Não vou prolongar-me mais com esta resenha, não falarei dos aspectos físicos do livro, até porque é bem difícil achar um exemplar da DeBolsillo para se comprar por aqui, porém a Editora Rocco publicou uma versão em português que vale a pena conhecer.
Sobre a narrativa em si, recomendo a todos. É uma leitura para se encantar, e não se preocupe mesmo parecendo imenso é um livro tenso e enérgico que você vai devorar em poucos dias. Talvez tenha dificuldades com as partes descritivas da construção da catedral, mas tirando os termos técnicos você vai encontrar uma história impecavelmente cativante.

5[3]

 Ps: O livro foi adaptado em 2010 para uma minisérie televisiva com o mesmo nome, uma produção em oito capitulos. Tanto o livro como a série tem um sucessor, o Mundo sem Fim é a sequência de Os Pilares da Terra, narrando a vida da cidade inglesa fictícia de Kingsbridge cerca de 200 anos depois.

Ficha Técnica
Título: Los pilares de la Tierra
Autor: Ken Follett
ISBN-13: 9788497592901
ISBN-10: 8497592905
Ano: 2003 / Páginas: 1360
Idioma: espanhol
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Editora: Debolsillo
Nota no Skoob: 4.5
Sinopse: Os pilares da terra, traça o painel de um tempo conturbado, varrido por conspirações, jogos intrincados de poder, violência e surgimento de uma nova ordem social e cultural. A figura que melhor expressa os ideais que inspiraram Ken Follett a escrever este livro é Philip, prior de Kingsbridge, um homem que luta contra tudo e todos para construir um templo grandioso a Deus. Mas a galeria de personagens que gravitam em torno da catedral inclui Aliena, a bela herdeira banida de suas terras, Jack, seu amante, Tom, o construtor, William o cavaleiro boçal, e Waleran, o bispo capaz de tudo para pavimentar seu caminho até o lugar do Papa, em Roma. Como painel de fundo, uma Inglaterra sacudida por lutas entre os sucessores prováveis ao trono que Henrique I deixou sem descendentes.
Épico que consegue captar simultaneamente o que acontece nos castelos, feiras, florestas e igrejas, Os pilares da terra é a recriação magistral de uma época que nossa imaginação não quer esquecer.


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Julielton Souza