14 de set de 2015

Livro #31–Juventude Brutal de Anthony Breznican


Assim que o lançamento deste livro foi anunciado no Skoob eu fiquei interessadíssimo em sua sinopse, ela simplesmente gritava: “me leia”.
Quando Peter Davidek é matriculado na escola católica St. Michael, a escola já colhe a reputação de ter se transformado em depósito de delinquentes e abrigo de religiosos estridentes.
[...] um aluno perde a cabeça e desfere um ataque violento contra os colegas que o atormentavam e contra os professores [...]
Para conseguir sobreviver ao primeiro ano na escola, o trio junta forças contra a cultura do bullying perpetuada por funcionários [...] e o padre Mercedes [...].

Como um conto de terror, Juventude brutal, acompanha os alunos da St. Michael em sua descoberta de que abraçar a maldade pode ser a única maneira de sobreviver.

Um drama narrativo carregado de suspense e terror, onde bullying é algo permitido e justificado e ainda praticado por professores? Uma descrição assim atrai qualquer leitor não é?
Pois, eis que não somente eu queria ler este livro, ele queria que eu o lesse, depois de inúmeros cortesias inúteis ganhas no Skoob: Cortesias, tenho a sorte de ganhar Juventude Brutal. E que presente foi este.
Juventude Brutal é um livro carregado, pesado e dramático, uma leitura que te faz odiar o sistema de ensino existente em qualquer lugar, ainda mais, se você se identificar com os garotos aqui existentes. Breznican trabalha de forma impar o bullying, ele não se prende ao clássico e clichê, vai além e aprimora a visão deste ato tão cruel, mostrando na carne viva o que é ser vítima de encrenqueiros.
“Tratando de um assunto familiar e oportuno, este livro revela com inteligência os meandros do bullying juvenil, e as dinâmicas que criam, ou favorecem, a aprovação e perpetuação de tal violência. Comovente, intenso e com toques de humor, Juventude brutal acompanha os alunos da St. Michael em sua descoberta de que, muitas vezes, abraçar a maldade pode ser a única maneira de sobreviver.”
Para início de conversa o livro começa apresentando “Klinc” o garoto gordinho com um hobbie estranho e que sofre nas mãos dos calouros e dos professores, até que um dia em meio a um surto sobe no telhado da escola St. Michael e perpetra sua vingança. Potes de vidros, santos e anjos voam do telhado e acertam pessoas na cabeça. Dedos são decepados, braços são quebrados e tudo o que você pensa é, “opa que diabos foi isso”.
A ambientação para o romance de estreia de Anthony Breznican, é a St. Michael, uma escola particular católica dos anos 90, conhecida pelos trotes que os veteranos fazem com os calouros. Mas a St. Michael não é qualquer escola, é onde abusar dos mais fracos, ser violento, agressivo é criar laços com os novos alunos, os calouros. Por incrível que pareça a pratica de bullying, é permitida e instigada.
Dirigida pela Madre Superiora Irmã Maria, a St. Michael, conta com professores como a terrível Sra. Bromine a orientadora vocacional e o abominável Padre Mercedez adultos frívolos e cruéis que vivem em intenção de fomentar as práticas cruéis empregadas aos alunos.
Após o incidente do garoto do telhado, somos apresentados aos três protagonistas desta trama, o carismático Peter Davidek, o enigmático Noah Stein e a bela Lorelei. Os três inicialmente formam um trio que luta contra a ditadura do bullying, mas ao passar das páginas tudo vai se misturando, transmutando e os três se veem em situações extremas e separados.
Essa história me pegou pelo pé, primeiro por nos apresentar um tema tão corriqueiro como o bullying, é certo que no início dos anos 90 o termo ainda não era moda no mundo todo, mas as diretrizes de certo e errado sim, e segundo porque o livro mesmo parecendo exagerado, caricato e até impossível, é apenas a junção de todos os problemas que nossas crianças e adolescentes enfrentam todos os dias. E terceiro, eu já fui uma criança da St. Michael. Embora essa escola seja ficcional, é fácil visualiza-la em nossos passados escolares. E sim, essas mesmas armações vistas aqui existem na realidade.
A violência na St. Michael é mais psicológica do que física, e comumente extrapola os muros da instituição e chega até os lares dos alunos, muitos filhos de ex-alunos da escola que veem na humilhação, no sistema de irmãos impostos pela escola uma forma de moldar o caráter dos alunos, de construir adultos fortes e aptos a vida em sociedade.
“Surpresa. Surpresa! Os mocinhos nem sempre vencem no final. As vezes, eles têm sorte se simplesmente continuarem sendo caras legais.”
A história é marrada em terceira pessoa, e os capítulos alternam entre os personagens e protagonistas, e isso nos permite conhecer melhor tanto seus lares, como a eles próprios, e você com certeza vai se pegar amando estes garotos, e, é claro sentindo pena deles.
Os ângulos abordados pelo autor nos mostram como o mundo está corrompido, como não apenas o sistema básico de ensino, mas como nossas autoridades estão contaminadas e podres e como tudo pode ruir com um simples boato.
O bom deste livro, é que você vai conhecendo os personagens aos poucos, descobrindo seus segredos, os mistérios que envolvem suas origens, e as razões que os levaram a cometer todos os erros e acertos que atentam ao longo do livro.
Eu como um defensor da infância e adolescência bem vividas, tendo em vista que já fui professor e conselheiro tutelar, fiquei chocado com muitos rumos que a trama tomou e também me senti ligado a muitos dos personagens. Mesmos os secundários são cativantes.
Como Green o único negro da escola. Hannah aquela conhecida pela alcunha de P três pontinhos. Ou Sarah a pobre garota católica fanática com cara de peixe e chamada por todos de Sete Oitavos. Ou ainda Smitty o grandalhão com um segredo não tão grande. Todos têm suas peculiaridades, e todos aprendem que na St. Michael você precisa abraçar a sua maldade.
Essa frase não poderia ser mais perfeita, pois, é o que se vê no final da trama, onde todos os personagens acabam abraçando a maldade existente em suas vidas, e de algum jeito conseguem se arrastar pra fora de toda aquela sujeira. Alguns saem feridos, outros saem após ferir alguém, e alguns apenas conseguem vencer toda a maldade sendo mal. Mas no fim, todos se tornam vítimas das circunstancias.
Mesmo tendo odiado certos personagens, alguns se tornaram tão queridos por mim, que gostaria de um segundo livro, onde tudo o “felizes para sempre” fosse possível.
Um spoiler bem leve, vocês vão sofrer e vão chorar com alguns personagens. Stein até hoje me faz parar e pensar na vida, mesmo um mês após a leitura.
Por fim, digo que recomendo está leitura pra todos, indiferente de seus gostos literários, a editora Pavana trouxe um best seller pra você chamar de seu, e vale apena tê-lo nas mãos, mesmo que ao fim da leitura, você se deite no chão, abraçando o livro em posição fetal, chorado e se perguntando por que continuar a viver.

Dados do Livro
Juventude brutal - Anthony Breznican
R$ 40,50 até R$ 42,50
ISBN-13: 9788578812850
ISBN-10: 8578812859
Ano: 2015 / Páginas: 496
Idioma: português
Editora: Pavana

Nota no Skoob: 4.8
Sinopse: Quando Peter Davidek é matriculado na escola católica St. Michael, a escola já colhe a reputação de ter se transformado em depósito de delinquentes e abrigo de religiosos estridentes. Em seu primeiro dia de aula, as tensões explodem: um aluno perde a cabeça e desfere um ataque violento contra os colegas que o atormentavam e contra os professores, que sempre assistiam a tudo sem tomar nenhuma providência. Nesse ambiente desesperador, Davidek se torna amigo dos também calouros Noah Stein, um garoto instável que leva no rosto as cicatrizes de um passado difícil, e Lorelei Paskal, uma menina linda e solitária que, empenhada em se tornar popular, só consegue fazer inimigos.
Para conseguir sobreviver ao primeiro ano na escola, o trio junta forças contra a cultura do bullying perpetuada por funcionários como a amarga srta. Bromine e o padre Mercedes, que usa os alunos como bode expiatório para desviar dinheiro da igreja.
Como um conto de terror, Juventude brutal, acompanha os alunos da St. Michael em sua descoberta de que abraçar a maldade pode ser a única maneira de sobreviver.


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Julielton Souza