26 de set de 2014

Livro #6: História de Uma Viagem para se Encontrar - Francisco Alexsandro da Silva

Dados do Livro




Nome: História de Uma Viagem para se Encontrar
Autor: Francisco Alexsandro da Silva
Editora: Autores Associados Ltda (Ciranda de Letras)
Ilustração: Thais Linhares
ISBN: 8562018066
Edição: 1ª Ed. 2011
Estilo: Peça Teatral Juvenil Nacional
Páginas: 91
Skoob: Aqui

Sinopse

Da Chapara do Araripe, fronteira triangular entre Pernambuco, Piauí e Ceará é de onde parte o Severino desta obra, mais precisamente das cercanias de Araripina. Um Severino retirante que, através de uma foto no jornal, descobre que existe o mar e vive o seu primeiro alumbramento.
Originado no sertão, irrompe o agreste e se faz litoral. Através do seu coração, da expressão de seu desejo, entende que hoje o mundo não é de permanência, mas de linhas trançadas. Seu lugar na Chapada é a sua matriz de referência, mas na contemporaneidade o seu território é flutuante, estendido, dilatado. Ele é universal.
Severino de Antônio de Araripina tem a alma de viajantes, de perigrino, de criador. Caro Leitor, você está diante de uma poesia que carrega a força do povo do Brasil. Um texto corajoso que espero que seja levado à cena sem concessões para cumprir o seu real motivo de existir.
Mas, afianço, é um poema dramático para todas as idades e que merece ser lido por todos, artistas de teatro ou não.
José Manoel Sobrinho

O Autor

Francisco Alexsandro da Silva é um escritor premiado, vencedor do Prêmio Ana Maria Machado de Dramaturgia 2011, Concurso Nacional CEPETIN (Centro de Pesquisa e Estudo do Teatro Infantil) de Dramaturgia com a obra História de Uma Viagem para se encontrar, uma peça de teatro para infância e juventude em 1 ato e 19 cenas. Mais informações sobre o autor não foram encontradas.

Dialética


Severino é o décimo primeiro filho de Antônio e Zefa, natural da Chapada do Araripe e trabalhador braçal ao lado do pai e dos irmãos, vive a sonhar com uma vida melhor, e um dia quando o pai vai a cidade e compra uma rapadura traz a mesma embalada em um papel cheio de letrinhas e com um retrato esquisito de um riozão enorme, mas tarde o pai lhe explica que aquele pedaço de papel se chamava jornal e que o riozão grandão se chamava mar.
Daquele dia em diante Severino passou a sonhar em um dia encontrar o mar e ser um homem do mar e, é na escola que ele aprende o caminho para o mar.

Aprendi na escola os lugares que vou passar,
vou passar em Trindade,
em Ouricurí vou passar,
e quando chegar em Salgueiro
a BR 232 devo pegar.
Vou passar na terra de Lampião,
em Arcoverde, pesqueira,
na Feira de Caruaru,
Vitória de Santo Antão,
até chegar a Recife, no bairro de Boa Viagem,
na Praia de Boa Viagem. – Pág. 05

Decidido o menino Severino deixa para traz seu torrão natal, o pai, a mãe e os irmãos e segue em direção ao tão sonhado mar, pelo caminho inúmeras armadilhas o aguarda, todas engendradas por Dona Morte.
Ela é uma senhora bem magra e com vestes pretas e roxas, é aquela que carrega a vida-morte sertaneja, que castiga o sertão e leva o descanso final aos sertanejos cansados. Porém Severino não está sozinho ao seu auxilio corre a bela Dona Vida, e ainda todos os santos do céu e Maria Mãe de Jesus que sempre o estão a proteger.

Mesmo guarnecido de tanta proteção Dona Morte ainda apronta muito, ela deseja aquele menino, quer destruir o seu sonho e impedi-lo de encontrar o mar. Sendo assim Severino precisa recorrer a desconhecidos que por felicidade ou obra do destino estão sempre dispostos a ajuda-lo.
Pessoas como o Sertanejo com o carneirinho, Dona Ana Senhora das Carrancas e seus amuletos de proteção, o Transeunte, o Velho Chico, Lampião, a Dançadeira de Coco, o Vendedor ambulante da Feira de Caruaru, o Caboclo de Laça, o Velho Bedegueba do Pastoril Profano e outros tantos.
Mesmo sendo protegido por muitos, Dona Morte sempre aparece, ora auxiliada pela Escuridão da Noite, ora pelo Nego d’Água, finalmente consegue desviar o garoto de seu caminho.
Mesmo com tantos percalços o menino conhece a linda Cumade Florzinha que transformada pelo vendaval escolhe o caminho de Severino para trilhar e passa a alegrar seu triste caminhar.

Quando finalmente chega a Recife acompanhado da Florzinha, Severino inocente cai na última armadilha de Dona Morte, uma armadilha cruel e fatal que nem mesmo Dona Vida pode evitar e seu sonho de ver o mar é interrompido ali a poucos metros do mar, ou não. Precisa ler pra descobrir.
Apresentado em forma de peça teatral o autor nos convida a acompanhar a aventura do pequeno garoto sertanista que tudo que deseja é conhecer o mar e pedir um inverno verdejante para o seu torrão natal que a muito tempo é castigado pela desertificação.
Pelo caminho conhecemos um pouco mais do sertão pernambucano e da vida sofrida de seus habitantes, de forma quase poética e com canções belíssimas nos emocionamos com a dor da perda de Zefa mãe de Severino, ou com o próprio desgosto do garoto sempre que se via a mercê da morte.
Uma leitura rápida marcada por belíssimas ilustrações de Thais Linhares conseguimos vislumbrar essa peça encenada em um belo palco e com cenários incríveis, é uma leitura divertida, emocionante e com certeza única.





1 comentários:

  1. Não conhecia o livro e achei uma temática bacana.
    Deixei a dica anotada ;)

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Julielton Souza